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Despir a pele

Com os olhos te vejo sair Na pele sinto-te entrar Num instante, por magia Começo a cantar: É uma vida tão pequenina Que se deseja encher É um corpo que se acalma Quando no peito começa a Ser É uma alma nova Num mundo que é o mesmo Uns olhos que brilham Sem qualquer sensatez Agora olho-te em silêncio Para que do sonho não te acorde Olhar-te em surdina É amar-te de cor.

Fio

Enquanto me esperas Sentado nesse banco Sinto-te tranquilo Como um pequeno menino Então salto e rodopio Como o vento, Num pequeno assobio E enquanto danço e voo Sem olhar, sem pasmar Sonho... E enquanto sonho Continuo a ver-te Sentado como um menino À espera do meu carinho

Lua cheia

Imagem
Recordo-me de passearmos Dos nossos dedos entrelaçados Conversarem no silêncio Dos passos conquistados Recordo-me de dançarmos E dos nossos corpos balançarem Numa coreografia imaginada Em passos dançados  E nesse silêncio tão só nosso, Tão só meu, por entre dedos e corpos Encontro-me inteira A rodopiar na lua cheia

Nó de escuteiro

O teu olhar curioso No espelho reluzente Indaga o mistério De que luz ilumina a mente Nesse mesmo olhar Que olha curioso  Reluz nesse espelho Amor que aquece o esqueleto E nesse instante se une No teu corpo, um só Coração e mente Como se tratasse de um nó E firme como só ele Feito por escuteiro de renome Nasce um nó curioso Que engloba o teu nome.

Plátanos de Alvalade

Perfume I - Metal Sinto o teu perfume Quando pela rua vagueio Passo apressado, passo tranquilo E no ar o teu cheiro invasivo Sonho o que relembro Em passagens inesperadas De um sentir tão intenso Como as armas entoadas De um cheiro emergente De um tempo apagado porque em vão Dos sonhos sonhados de então Restam apenas pequenas ilusões e desejos vãos. Perfume II - Jasmim Esse perfume que já não cheiro Quando pelas ruas de Lisboa vagueio Passo apressado, passo tranquilo E o ar com novos cheiros me presenteia Recordo o então e vivo o agora Num balancé contraditório Entre os perfumes do passado E a fragrância de um novo fado.

As tuas letras

Naquele dia cintilante Em que os braços se renderam Os meus olhos leram O que a tua voz cantou  Desejei num primeiro momento Que as letras do papel caíssem Um segundo, um instante E as letras não caíram Toquei-as com os dedos Surpresa medo desejo Voltei a tocá-las Suspirei Toquei-as de novo Sorri E tal como lá Agora te sinto em mim E num desejo quase inato Sonho que aquelas letras Não tenham fim